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Mergulhos nos Livros do Pedro

Mergulhos nos Livros do Pedro

Afonso Cruz, Vamos Comprar um Poeta | Opinião

Pedro, 28.03.21

"Dizem que é um bem transacionarmos afetos, liga as pessoas e gera uma espécie de lucro, que, não sendo um lucro de qualidade, já que não é material e não é redutível a números ou dedutível nos impostos ou gerados de renda..."

Uma história sobre uma família, sobre a importância da poesia, da escrita e da leitura.

Uma história que foca que a vida não são apenas números que as pessoas não são bens transacionáveis. Que enquanto seres humanos que somos, pesamos, tomamos decisões, decisões baseadas em fatos, em pesquisa em leitura e raciocínio sobre essa leitura de forma a tomar a decisão.

Este livro é uma crítica um pouco de tudo e ao mesmo tempo a tudo um pouco.

Uma crítica também severa, da realidade de como os escritores ainda são vistos e tratados em geral, de como a leitura e como o respetivo índice literário, contínua muito aquém da realidade global.

"No dia da escolha, fomos a uma loja, eu e o pai (...)

Na loja havia poetas de muitos tipos, baixos, altos, louros, com óculos (são mais caros) (...)

"O pai apontou para a poeta que fungava e não tinha patrocínio nas roupas e perguntou se aquele exemplar era subversivo(...)

"Está abaixo dos dois por cento. É sempre necessário serem um pouco subversivos ou a qualidade poética baixa demasiado e não gera lucro, ninguém compra, acabamos preteridos a bailarinos ou hamsters."

Atento nestas últimas citações como uma crítica de forma.

A verdade é que para se ter sucesso é necessário publicitar o livro, dar a conhecer a obra, dinamizar a nível de Marketing todo o trabalho, caso contrário corremos o risco do investimento feito não te retorno.

Muitos as vezes acaba por se escrever o que o leitor quer ler e não o que o escritor está a "sentir" ou quer verdadeiramente quer transmitir. No fundo, os escritores nunca são livres.

Existe uma espécie de comparação entre animais de estimação e hamsters.

Uma excelente história curta, mas que para quem gosta de Afonso Cruz, é de leitura obrigatória.

Pela capacidade de escrita e concretização de ideias, dou a este livro 4 estrelas.

 

Em suma:

Era uma vez um miúdo que queria "Comprar um poeta"

Que tinha pensamentos, que giravam como uma roda de bicicleta

Os pais propuseram um pintor, mas ele disse que não

Preferiu escolher um poeta, com imaginação.

 

Mas para escolher um poeta, deu que pensar

Que a sátira do pormenor teve que assentar

É Alto, baixo, magro ou vale por dois?

O somatório dos pormenores, fica para depois.

 

Mas o que há a reter, desta história fundamental?

Que a poesia, a cultura são um bem essencial

Uma critica profunda, sem um possível "talvez"

A imagem desta realidade, onde se questiona os porquês.

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